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Quanto custa um apartamento a poucos passos de uma estação de metrô em São Paulo? E uma casa com vista para um parque em Buenos Aires? Esses são os tipos de perguntas que a Properati, uma plataforma digital para busca de imóveis, com sede na Argentina, está respondendo com a colaboração de empresas de notícias no Brasil, no Chile, no México e na Argentina.

Na Properati, empresas de notícias como o El Clarín, da Argentina, o T13, do Chile, e o El Economista, do México, encontraram bases de dados intrigantes e uma equipe de analistas capaz de executar estudos personalizados para responder perguntas sobre a relação entre mercado imobiliário e transporte público, por exemplo. E em uma região onde dados abertos são escassos e as redações dos jornais contam com poucos analistas de dados, a Properati encontrou uma maneira inteligente de promover sua plataforma.

“Gerar conteúdo de qualidade para a imprensa é uma parte fundamental da nossa estratégia de comunicação”, diz Nicolás Grossman, chefe de conteúdo e relações de imprensa da Properati. “A cultura dos dados abertos está no DNA da Properati, é por isso que colaboramos sempre que possível com comunidades de dados abertas em cada país”, explica.

Ao juntar e analisar bases de dados urbanos e econômicos, a Properati não apenas tem coletado e  aberto. Segundo Grossman, a empresa pode ajudar a fornecer respostas para perguntas que poucas organizações têm os dados ou o saber técnico necessário para responder.

Com mais de dois milhões de propriedades listadas na Argentina, no Brasil e no México, e com mais de três milhões de usuários em sete países da América Latina, a Properati possui muitos dados imobiliários sobre os quais executa análises de mercado constantemente.

Análise feita pela Properati das opções de transporte público na Cidade do México foi publicada em setembro de 2016 no CityLab Latino.

Desafiando hipóteses com dados

Para um artigo sobre a eleição presidencial argentina de 2015, a Properati foi contatada pelo editor do Clarín, Darío D’Atri, que pediu uma análise exclusiva de como os argentinos votaram, de acordo com o valor de suas propriedades, no dia 25 de outubro, quando aconteceu a primeira rodada da eleição em que o partido “Cambiemos”, de Mauricio Macri, derrotou o partido FPV, de Daniel Scioli. Entre outras descobertas, a análise da Properati mostrou que, desafiando as expectativas, Macri teve excelentes resultados nos distritos de baixa renda.

D’Atri, no texto que compõe a matéria, explica como os dados ajudam a esclarecer ideias tradicionais que, muitas vezes, podem estar erradas. “Esta ruptura de correlações clássicas, como esta em que se relaciona o valor da propriedade com votos para FPV ou para Macri, obviamente, tem suas razões políticas, econômicas e sociais. Mas, a aplicação de dados teóricos externos, como o valor dos imóveis, permite um novo olhar e resulta em explicações para a ‘surpresa’ que foi os resultados da eleição do dia 25 de outubro”, escreve o editor.

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Um dos gráficos do Plot.ly construídos pela Properati para o Clarín.

É mais simples do que os jornalistas pensam

As ferramentas utilizadas para realizar a análise eleitoral solicitada pelo Clarín foram relativamente fáceis de usar, diz Grossman à Storybench . “Para fazer isso, utilizamos os dados abertos da Properati e informações de fácil acesso sobre os resultados das eleições. Eles poderiam ter feito isso eles mesmos, mas nós o criamos com QGIS para análise de dados, Carto.com para apresentar o mapa e Plot.ly para os gráficos de linha e bolha.”

Essa disposição em permitir que a Properati faça a coleta, análise e visualização dos dados é constante em muitos dos jornais com os quais a empresa colabora, diz Grossman. Quanto ao porquê os jornalistas não querem — ou não podem — fazer o trabalho com os dados, Grossman não tem certeza do motivo. Mas ele tem algumas hipóteses.

“Na maioria das vezes, os jornalistas pedem coisas que eles próprios poderiam fazer com nossos dados abertos”, diz. “Mas por várias razões — ou porque não têm as ferramentas, ou porque pedir para nós economiza tempo, ou, até mesmo, por motivos internos — eles não fazem isso sozinhos”.

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A Properati construiu mapas 3D dos preços dos imóveis para São Paulo e Buenos Aires. O Storybench pediu à Properati para escrever um tutorial de mapeamento em 3D que pode ser lido aqui.

Buscando parcerias de análise de dados

O que a Properati está fazendo para jornalistas não é exatamente novo. Empresas de imóveis como Zillow e Trulia, por exemplo, já se com empresas de notícias para fornecer análises e até mesmo ajudar a criar histórias. Confiar em especialistas externos para analisar, comentar ou analisar dados é, sem dúvidas, uma prática comum no jornalismo. Mas, apoiar-se em uma única empresa para gerar, analisar e visualizar a história para uma empresa de notícias nos leva a um território ético complicado. Pois existe uma linha fina entre deixar uma fonte falar ao microfone por limitado e entregar totalmente o microfone a ela.

Por outro lado, por enfrentarem cortes em suas equipes e sofrerem um aumento da pressão sobre as matérias publicadas, dá para entender porque os meios de comunicação acham essas parcerias tão fascinantes. Mas uma dica para os mais sábios: aprendam a usar vocês mesmos as ferramentas. Não haverá sempre uma Properati que esteja disposta a ajudar sua redação gratuitamente.

Tradução livre de texto publicado originalmente em Storybench.org